segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Fragmentos de Memória

Enquanto muitos só recebem homenagens póstumas, seja por culpa, medo, vergonha ou desatenção dos ainda viventes, acredito que nossas paixões devem ser declaradas ainda em vida. Eu, que por culpa, medo, vergonha e desatenção sempre me abstive de fazer qualquer declaração de amor a quem quer que fosse, ao menos no papel ainda tenho esta intenção.


Aproveitei para falar sobre meus avós, já que ainda convivo com a maioria deles, ou “três quartos” do conjunto. A maioria sim, porque bem antes de meu nascimento perdi o avô paterno e deste me escuso de falar, por agora. Não por falta de conhecimento, mas por não ter fatos pessoais a relatar – embora ele tenha sido a versão original de ser dos membros masculinos da família, desde a boemia e o gosto musical à veia humorística irremediável.


Sobre o meu avô materno, que ele escute este texto, já que não tem condições óticas de lê-lo, foi de imprescindível convivência em minha infância. Costumeiramente íamos à padaria cedinho, ele tomar café, eu tomar chá. Homem dos bares, herança genética, me levava ao colégio diariamente. Neste meio tempo, tomava uma, que ninguém é de ferro, depois ia me buscar e me deixava jogando videogame.


Foi durante muito tempo minha desculpa para ir brincar na rua, ir buscá-lo na farra. Quando o encontrava num boteco, ele puxava o neto de uns cinco anos de idade e com orgulho apontava para as placas de bares e lojas que eu prontamente lia em voz alta – o que motivava mais um brinde de cachaça com os amigos em homenagem à astúcia do neto.


Num de nossos passeios matinais de bicicleta, época em que ele ainda podia se dar esse luxo, numa bodega qualquer ele me mandou pedir algo. “Quero uma Sprite!”, eu disse (naquele tempo eu falava “splite”). O dono olhou espantado e perguntou “O que é isso?”. Ainda hoje ele repete o causo, com água na boca e com saudade: saudade da criança que sabia falar bonito e do bodegueiro que não entendia de refrigerante.


Minha avó materna desbanca, em termos de graciosidade, qualquer criança de colo. Sempre uma menina, inclusive no tamanho, batalhou pelos estudos no sonho de professora e conseguiu induzir o neto nas letras. Eu cagava (ou como ela gosta de dizer, “defecava”) com um quadro negro ao lado, rabiscando meu nome, com uns dois anos de idade, creio.


Orgulhava-se pelo neto fazer toda a lição de classe e todas as lições de toda a classe também. Guarda ainda hoje todos os uniformes escolares que usei na vida, todos mesmo. Dos clássicos da infância, ela cita sempre minha primeira frase completa, com um ano de idade, acho: “Mamãe, eu vou passearrr”, com infinitos “erres”.


Noutro momento memorável, houve um bilhetinho, eu ainda aprendendo a escrever, com os dizeres: “Odeio ter avó”; posteriormente ao qual devo ter me escondido atrás do sofá, onde ela fingia não me ouvir chorar, mas de noite segurava minha mão, pois só assim eu conseguia dormir.


Sempre condescendente com meus erros, concedia louváveis moedas para o jogo de videogame. Foi responsável pela minha primeira mesada: cinco reais mensais, que logo calculei e, capitalista, telefonei-a pedindo adiantamento e aumento de 100% (ou provavelmente a denunciaria ao sindicato dos netos desaforados).


Minha avó paterna, nunca foi de muitos mimos e carícias. Sempre aguerrida, perdeu o marido cedo e criou um punhado de filhos sozinha, passando fome e frio, sacrificando a saúde e a vida pela família, mas nunca perdendo a chance de tomar uma ouvindo seresta, bolero e bossa nova.


Quando bebê de colo, ela me deitava na barriga, numa cadeira de balanço, e conseguia me fazer dormir, apesar das cólicas. Na infância me desobrigava do fardo de derrubar o prato de almoço, o que me costumava me tomar algumas horas sentado à mesa. Ela mesma o arremessou na parede certa vez, poupando-me das broncas paternas.


Geralmente oferecia amor através da comida: seja o sanduíche do jeito que o neto gosta, o leite do jeito que o neto gosta ou o almoço do jeito que o neto gosta. Já que minha falta de afeição à comida mostrou-se inversamente proporcional à que senti pela bebida, passou a farrear comigo, comendo tira-gosto ao som de Nelson Gonçalves e adjacências, relembrando felicidades e infelicidades de uma vida tão boa e tão sofrida.


Assim, cada qual com seus pequenos detalhes, fizeram desaguar no quase-adulto de hoje as lágrimas agradecidas pelos ensinamentos à criança introvertida que está quase aprendendo a ser gente. Para a multidão alheia, aos ilustres anônimos mundo afora, meus avós nunca foram ninguém. Mas para mim, nunca houve nem nunca haverá ninguém como eles.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Peripécias de fim de ano

Chegando o fim do ano, volta a correria de fim de período(s) na(s) faculdade(s) e, pra variar, encontro-me sem tempo nem pra comer – porque pra beber a gente dá um jeito. Recordo agora os bons tempos de colégio, quando eu era menos triste e não sabia, quando o ápice da diversão era jogar futebol e videogame, ler jornais, livros e revistas e, quem sabe, cruzar olhares tímidos com alguma menina.


Voltando aos fatos marcantes e “envergonhantes” da minha vida, que não foram poucos, lembro dos tempos que morei em Fortaleza-CE, lá pelos 14 anos de idade. Bons tempos, onde passei de nerd quase-mudo a nerd quase-tímido e onde consegui realizar algumas proezas catastróficas, exatamente nos finais de anos (da passagem de tempo, sem conotações implícitas).


Exatamente no último dia letivo da 8ª série do fundamental, sem mais professores a suportar, estava eu com meus companheiros a jogar vôlei dentro da sala de aula. Quer dizer, estavam eles a jogar vôlei. Partida um tanto interessante, pois a “bola” tratava-se da bolsa de uma das colegas de classe.


Eis que surge o atleta e solta a pérola “toca pra mim!”. Ao receber o passe, o tal jogador, ao tentar repassar a “bola”, consegue acertar um dos ventiladores do teto, empenando uma hélice. A “bola” é delicadamente arremessada por ele contra a parede, batendo num ventilador lateral, que fragilmente se despedaça e esfumaça, quase tanto quanto meu coração imaginando o quanto da pele eu iria perder ao contar o fato ao meu pai.


Mais uma vez, exatamente no último dia letivo do 1º ano do ensino médio, sem mais professores a suportar, surge algum malandro com a brincadeira do “montinho”, que consistia basicamente em derrubar alguém para todos os outros pularem em cima. Um dos peraltas sugere atacar um professor e, o primeiro a sofrer o ataque (que, para melhor descrever, atendia pelo pseudônimo de Rabicó), se esquiva e distribui socos e pontapés aos que se aproximam. Escapou, praguejando contra a quadrilha.


Em sã consciência, a turma ataca o segundo professor. A sala fechada, as luzes apagadas. O professor, que não lembro o apelido, mas que era um anão de jardim ou pintor de rodapé, recebe um ataque por trás (ui!), uma rasteira que o derruba e uma seqüência de twists carpados na coluna. A saga rendeu uma expulsão, dois termos de compromisso e algumas advertências e orelhas queimadas. Eu, que já ia embora do colégio, fui poupado.


Este mesmo professor, o pequeno polegar, tinha uma célebre frase, que agora deve usar com freqüência. Quando chegava num lugar agradável, comentava: “Aqui é o paraíso... Nenhum aluno por perto!”.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Sobre o bisavô dos meus netos

Queridos netos, eu nem sei o que dizer do seu bisavô. É uma daquelas pessoas indescritíveis, daquelas que conseguimos apenas admirar. Ou pelo menos foi alguém assim, se vocês não tiverem a satisfação de conhecê-lo.


Pois que o velho fez aniversário de quase-50 (quarenta-e-cinco, salvo engano) e, como sempre, foi um dia regado a um bom e velho destilado – para ele, que como quase sempre ocorre em datas bebemorativas, deve ter ficado embriagativamente sonolento.


Pelo nosso script habitual, dei-lhe tapas nas costas, que foram retribuídos com outros tantos; dei-lhe os “pêsames” pela senilidade próxima; enfiei-lhe o dedo no umbigo, somente no umbigo; soltamos boas piadas, com boa música e bons amigos. (Faltou-nos um bom jogo de futebol, que não foi apresentado pelo nosso Campinense Clube em ascensão a Serie C do futebol nacional – ao tempo em que vocês lêem, meus netos, provavelmente o Campinense já deve ter se tornado algo menos lastimante).


Passam os “anos” e o velho nem sente, com trocadilho. Assim, com jeito de moleque e usando bom humor pra disfarçar os cabelos brancos e a careca “entrando” ele realmente não parece envelhecer nunca. Assim, não percebemos o tempo que passou, nem percebemos o quanto ambos estivemos distantes e quanto tempo desperdiçamos sem saber a falta que nos vai fazer. Meus netos, não desperdicem o tempo que puderem usufruir de convívio com os anciões, mesmo que a demência lhes corrompa o que restou de fígado – não me referindo a ninguém em particular.


Ao meu velho, saiba que minhas lágrimas, misturadas ao meu riso, são de felicidade por podermos partilhar estes momentos simples, de conversa fiada e bebida por sua conta – não que este detalhe tenha relevância.


Que os anos continuem passando e você consiga agüentar este peso nas costas sem sentir nada. Que Vinicius, seja “de Morais” ou Rangel, esteja aqui para cuidar de nossos corpos cansados pela vida prazerosa que tivemos e que teus bisnetos possam supor que você foi um mártir ou algo se aplique a quem se tem saudade.


“Tudo começou quando o filho morria de vergonha do pai, porque o pai era palhaço de um circo sem futuro.
Ele cresceu sem dizer pros amigos onde o pai trabalhava.
Sempre envergonhado, cresceu com a vida muito amargurada, se formou em outra coisa.
Um certo dia recebe a notícia de que o pai está no leito de morte.
Ele corre lá, entra no quarto, tira a gravata, tira o paletó, se ajoelha e diz:
- Pai, me ensina a ser palhaço?
- ...
- Pai, me ensina a ser palhaço?
- ...
- Pai, me ensina a ser palhaço?
- Isso não se ensina, SEU BOSTA!”


(Trecho de “Palhaço do Circo Sem Futuro” – Cordel do Fogo Encantado).

domingo, 2 de novembro de 2008

"Injeção" de ânimo

Quase me esqueci que o motivo principal que me fez cair no delírio de escrever publicamente foi bem mais altruísta e bem menos de tentar tirar uma casquinha de escritor-fracassado-tentando-fingir-qualidade. Nunca fui bom escrevedor, embora esforçado. É bom dizer que a palavra e eu entramos em comum acordo sobre nosso relacionamento fracassado: eu entro com o pé, ela com a bunda.


Voltando ao foco, o cerne, o epicentro, o âmago... Bom, a questão é que isto existe para dizer coisas que não costumo dizer (ou que nunca digo mesmo), para publicar coisas não-íntimas e fazê-las passar por íntimas e impublicáveis. Difícil entender como alguém se interessa pela minha vida – sim, isso foi um recado para você, trouxa, ler um livro que preste ou fazer algo útil (te amo, beijomeliga).


O intuito era guardar recordações de uma vida regada a entorpecentes, madrugadas, música e boa companhia, fazendo os meus netos acreditarem que tive uma vida plena de prazeres e que não saibam que ao vivo foi bem pior. Contem para meus bisnetos que “o vovô era o cara!” – numa linguagem diferente porque “o cara” vai ser uma expressão careta.


Então, meus queridos netos, quero que saibam que o seu avô também passou por maus momentos na sua curta carreira. O que fato vos relato agora foi vivido em um mês de Junho de 2008, famoso pelo festejo junino durante 30 dias sob forte chuva, músicas outrora boas e bebidas outrora embriagáveis.


Seu velho avô resolveu virar a noite acordado e ir para a faculdade assistir aula. Muitos dos diálogos, imagens e ações desse dia eu não me lembro – vulgarmente conhecido como Mal de Alzheimer Alcoólico.


Acompanhado dos colegas Silas e Charles, com conversas que iam de Chico Buarque a cabarés avulsos e atitudes que iam de urinar em locais improváveis da faculdade de Comunicação (banco, placa e árvore) ao romantismo de entregar “uma flor para uma flor”; não lembro mais nada de interessante que tornasse o dia assim tão inesquecível.


O melhor viria depois, numa crise de sinusite que me leva ao hospital, ao soro fisiológico na veia e ao clímax do evento. Durante meu repouso no hospital, eis que surge um bravo e honrado enfermeiro com o seguinte diálogo:


Enfermeiro, tirando meu lençol: Vou aplicar uma injeção aqui.

Eu, acordando assustado: Hein?

Enfermeiro puxando minha bermuda e “enfiando” o “negócio” na nádega alheia. Sem mais nem menos, sem pedido de licença, sem flerte, sem conversinha no pé do ouvido. Quase um estupro hospitalar num pobre doente indefeso.


Então meus netos, deixo aconselhado: não virem uma noite na farra tendo compromisso na manhã seguinte e não confiem em enfermeiros com agulhas grandes – nem nada mais que seja grande. E sim, experimentem um dia urinar em local inapropriado da sua faculdade e exprimam toda sua repulsa e rebeldia sem causa.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Sem Sentido(s)

Meu caro amigo,

Tudo em cima? Eu estou bem. Não como você, infelizmente; nunca como você.


É com muito prazer que te escrevo, pois que nossa amizade vem lá de trás, dos tempos que éramos pequeninos. A distância cresceu, nós crescemos; tudo cresceu, inclusive a amizade. A cada pincelada que dou no papel, você vai sentir teu dedo no meio, tantas são as aventuras.

O fato é que ando meio cabisbaixo ultimamente. É meio brochante minha vida, sempre sem muita agitação. Não como você, que andou pelo litoral há uns tempos, tomando um solzinho nas costas – e como bem sei, sempre se queimando, sem proteção justo quando o sol caminha mais forte no horizonte.

Vou te contar o real motivo desta carta, sem mais rodeios, sem comer pelas beiras; você sabe que não sou de muita prosa, que não sou muito bom glosador.

A verdade é que enquanto você estava viajando peguei tua mulher na cama com outra. Foi interessante, sabe. Tanto tua mulher quanto a outra eram muito boas. Tudo era apenas uma brincadeira que foi crescendo, crescendo... Não deu outra (quer dizer, deu sim – e como).

É triste, mas eu não me queixo. Que seriam dos amigos se não se contasse a verdade, nua e crua? O cru é exatamente o que nos torna tão suscetíveis a suportar este peso nos ombros.

Sem mais delongas, um grande abraço por trás,
Do teu amigo de sempre e para sempre amigo.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

A dor e o dono da dor

Durante toda uma existência, subsistia-lhe perversamente o mesmo sofrimento. Eram dores dilacerantes, que rasgavam-lhe a carne tal qual o estuprador à sua vítima corrompe o ventre.


As chagas doíam-lhe profundamente. Impediam-no de realizar feitos atléticos, de praticar atividades intensas, demasiadamente caras à sua saúde frágil. Por quase tudo o que não podia realizar, como que para apaziguar sua própria incompetência, praguejava inutilmente, com certo desdém, um sem fim de impropérios contra o próprio corpo. Corpo hospedeiro de uma infinidade de moléstias; corpo inóspito para um coração arredio.


Merecidamente o nomearam com o pseudônimo de “profundissimamente hipocondríaco”. Não o era, mas a melancolia caía-lhe bem. De fato, exagerava aqueles sentidos. Expurgava tão intensamente aquela angústia que o pretenso temor de que lhe sobreviesse uma possível sensação de dor, já lhe era bastante dolorido.


Não conheceu o amor. Acreditava que as tais dores não o permitiam amar e travestia a mortalha do penitente celibatário. As aflições lhe eram mais intensas que qualquer paixão, mais ardentes que qualquer meretriz, mais puras e deleitáveis que qualquer donzela. O bastardo tinha uma alma tão podre que nenhuma luz vermelha, em pleno funcionamento, o aceitaria de bom grado.


Tantas vidas passam pelo mundo e ele acabou passando despercebido pela vida. Vida descartável, voltada para uma pesarosa auto-flagelação da qual se utilizava para rogar pela piedade alheia, carente de afeto que sempre foi.


Por fim, resolveu consultar um médico. O diagnóstico: unha encravada.


P.S.: Baseado numa vida vivida.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

In Memoriam

Vejo um tom vermelho amargo, feio e fétido. Não mais pulsante, nem mais dançante em veias alheias. Resultado de um instinto desagradável, um prazer doentio, gratificante... saboroso... delicioso... Se soubesse descrever o dramático monólogo, teria emudecido e transcrito um único gesto, o último ato.

O sangue escorre em minhas mãos suadas e calejadas, silenciosas testemunhas. Depois de haver imaculado meus entes mais queridos, o vejo agora tão puro e casto... O riso sobressalta-se em meu semblante. Incontrolável e inexplicável, como uma droga recém experimentada, viciante, vingativa. Ah, que orgasmo inatingível! Seria trágico, não fosse deveras cômico.

Mas não demore a ir-se, minha cara! Se o adeus demora a dor se expande, o coração não suporta! Não, meu frágil coração não foi feito para despedidas...

Sim... Uma morte sem medo, sem último grito de dor, sem testamento nem ridícula carta de despedida. Sem amigos que lhe velem o frágil corpo indefeso, sem amores que lhe derramem pedidos por um beijo final. Sem sequer vermes que lhe roam as partes íntimas! Definitivamente, o merecido para o supra-sumo da insignificância. Quisera eu tamanha imponência em meu penoso fim.

Arrependimento? Não. Detestável, seria a palavra que a definiria melhor.

Percebo por fim meu próprio sangue misturado aos demais. Poderia até brincar de mal-me-quer, enumerando meus familiares naquelas gotas inertes...

Apago da mente todas as más recordações: ingratas memórias pós-morte são indesejadas, dispensáveis. Dos mortos só nos resta guardar sempre as melhores lembranças, seja pelo que fizeram, poderiam ter feito, ou que apenas inventamos para dar-lhes alguma glória insípida, satisfazer-lhes a alma carente de utilidade.

Guardo então a lembrança de seu corpo contorcido e condoído pela dor. Minha imoralidade não me permite despir a consciência das dores morais, tão banais que são.

Adeus, enfim. Adeus, MALDITA MORIÇOCA.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Algum título imbecil sobre uma mídia idem

Reaproveitamentos de trabalhos são exaustivamente gratificantes, do "ponto de vista" de que não apenas um #$!@# de um professor irá ler o que você desperdiçou tempo pra escrever.

***

Segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu (nessa parte finjo que já o li), a mídia, os jornalistas ou a imprensa, como um todo, se permitem influenciar pela busca incessante pelo extraordinário, ou seja, fatos de repercussão nacional e internacional e dos quais acaba tornando-se subserviente.

Devido a essa busca pelo atípico, o que da mídia captamos é meramente e diariamente o ordinário, garantido pela repetição exaustiva das mesmas notícias "extraordinárias", "bombásticas" (com B) ou "catastróficas".

Embora a invasão de Isabelas, Champinhas, Von Histofens, PMs capacitados a matar inocentes e, mais recentemente, uma onda de bebês saltando de janelas; embora tal seja praticamente impossível de se evitar ao perpassar os órgãos de comunicação - é notícia vendável -, devemos à imprensa não apenas a informação que esta transmite, como também nossa alienação criminalística: o "culpado" acaba sendo o antagonista da novelinha que a mesma mídia nos apresenta.

É de sensacionalismo e denuncismo barato que vive nossa imprensa, a velha política do pão e circo que estamos adaptando.

sábado, 6 de setembro de 2008

?

Tava passeando aqui e achei uns versos de 2004 (16 anos?), um pirralho meio 'metido' a 'poeteiro'.
Publicado só pra deixar guardado pra posteridade.

enviado: 2 de dezembro de 2004 18:40

De eu pra mim.

Estou farto da tua caretice, da tua cara triste.
Farto do fato do teu ato ter rimado.
Dessa lucidez alucinatória que insiste
a carregar o fardo do teu desacato.

Tua antipatia banal
Tua empatia imoral
Tua mente podre
Tua rima medíocre.

Engana-te coração se pensas ainda me iludir.
Das armadilhas escapei
de estilhaços ainda estou marcado.

Amor à primeira vista
ou mesmo eterno não existe,
pois os olhos não amam, os corpos sim.