domingo, 21 de março de 2010

À Pequena

Queria te proteger disso tudo. Imortalizar esse sorriso impagável diante de toda essa vidinha intragável. Livrar-te de todo o mal, sem um desnecessário amém, apenas amando-te. Dizer que serás sempre pequena. Minha pequena. E que serás linda para todo o sempre e que algum outro no mundo irá amar-te para todo o sempre. Te contarei estas tantas inverdades até que não tenha mais forças para tanto. Então, minha pequena não será mais pequena, nem será apenas minha. Trará a dor desprezível dos comuns e o sorriso amarelo cheio de dentes e dúvidas e anseios e amores. Eu então já não terei tantos dentes, anseios ou amores. Serei apenas teu velho cansado, tomarei minha última dose e tu me colocarás para dormir. E contarás aos teus pequenos que foste também apenas uma pequena. A minha.

2 comentários:

Anônimo disse...

A vida passa e resiste para não morrer. Sempre está ai, cheia de dúvidas e certezas. Foram quantos passos até chegar aqui? O amanhã será nossos sentimentos do hoje dito por outras pessoas. Vivemos num ciclo de variações surpreendentemente desprezíveis. Um luta entre pessoas ideologicamente iguais. Quem constrói o meu futuro são aqueles detentores de mais verbas. E a isonomia, onde fica? Certamente na mente dos brilhantes profissionais na construção da mentira!

Taiguara Rangel disse...

tantas palavras bonitas pra não se dizer nada... parece que estou conseguindo ensinar algo :)